So geh'n die Bochumer die Bochumer geh'n so...



P.S- Antonio Puerta RIP

De férias


Até Setembro.

silly season

(E é certo. Entrámos oficialmente na altura mais morbosa e aborrecida da época futebolística: a silly season. E enquanto jogadores e dirigentes marcam amigáveis de interesse duvidoso e demarcam os contornos de uma próxima transferência, é nas mentes de cada um que se projecta o campeonato que aí vem.)

- Como explicaria a uma criança o que é a felicidade?
- Não explicaria. Dava-lhe uma bola para jogar.

Dorothee
Sölle, escritora e teóloga alemã.



Best


Os exames impedem-me de postear regularmente, como antes. Hoje deixo esta foto do grande George Best em plena batalha aérea na grande área rival. Esta foto tem tudo. (Façam a comparação com a foto do post anterior). Pois é, o jogo aéreo deve ser a mona lisa das fotografias futebolísticas.

Os intelectuais e o futebol


Parece quase descabido fazer relacionar uma classe que procura a reflexão e o pensamento erudito com o futebol, que é um desporto de massas, fruto da emoção e das manifestações mais primárias.
Mas aí é que está. Estes dois elementos estão mais unidos do que se pensa, como perceberão em seguida.

No texto que vos mostro em seguida, Eduardo Galeano , ilustre intelectual uruguaio e apaixonado do futebol, (muito os intelectuais uruguaios gostam deste desporto, recorde-se apenas Mario Bendetti) faz uma curiosa análise da relação intelectuais-futebol.

"O mundo intelectual sempre adoptou uma atitude superior e arrogante com o futebol e com tudo o que este desporto desperta enquanto paixão colectiva. Este jogo foi condenado por intelectuais de esquerda e de direita. Da direita, dizem eles que o futebol é a prova de que o povo pensa com os pés; da esquerda dizem que o futebol tem a culpa de que o povo não pense. Por sorte, nos últimos anos estas opiniões têem mudado. Muitos intelectuais saíram do armário, como dizem os homosexuais. Antes tinham vergonha da sua paixão e agora mostram-na e falam dela. Sempre, claro está, que se jogue bem. Refiro-me a esses jogos em que se joga por jogar e não por ganhar. O futebol é um desporto que serve para limpar a alma e cuidar do corpo."

Eduardo Galeano

Aproveito esta última frase para vos aconselhar a obra prima deste escritor, "Futebol a sol e sombra" de que falarei proximamente.

José Mourinho segundo John Carlin


Já que no meu último post fiz referência ao grande conjunto de cronistas do El Pais no que a futebol toca, hoje continuo, divulgando o nome de John Carlin.

John Carlin é o típico beef inglês. Amante do bom jogo e do fair play desportivo, Carlin não tem rodeios nas críticas que faz, ainda que seja avesso a favoritismos e idolatrias, tão comuns em tantos jornalistas que entusiasmados por algum jogador ou clube, se desmancham em adjectivos e lambidelas de cú.

Tanto assim é, que um dos seus ódios de estimação é o nosso conhecido José Mourinho. Percebe-se porquê. Um John Carlin respeituoso e bem comportadinho deve ver em José Mourinho, o típico treinador que não olha a meios para atingir os fins, o arauto dos arautos do anti-jogo na Premier League.

O texto tem o sugestivo título de "O homem mais odiado de Inglaterra" (bem demonstrativo aliás do ódio que o inglês nutre pelo treinador do Chelsea).

Atenção, o texto foi escrito depois da derrota do Barcelona ante o Chelsea, numa das recentes edições da Liga dos Campeões.

A tradução já sabem, é por conta da casa.

"O homem mais odiado de Inglaterra" por John Carlin


" Por três pontos, dava um tiro na minha avó". Brian Clough, lendário treinador do Nothingham Forest.

Houve mais decepção em Inglaterra do que em Espanha pela derrota do Barça ante o Chelsea, no jogo que disputaram esta semana. Diria até que a vitória dos blues se celebrou mais em Espanha do que em Inglaterra.

Como é que se pode afirmar tal barbaridade? É uma simples questão matemática. Prestem atenção.

Em Espanha, 30 % da população é do Barça. Em Inglaterra ( e sejamos generosos), 2 % da população é do Chelsea. Este aspecto por um lado. Por outro, dos 98% que não são do Chelsea, todos celebram as suas derrotas. Ou seja, se és inglês e não és do Chelsea, estás contra ele.

Sendo assim (e acabam aqui as lições de matemática), tendo em consideração que a Inglaterra tem 50 milhões de habitantes e Espanha 40 milhões, podemos afirmar que 49 milhões de ingleses choraram a derrota do Barça na última quarta-feira, enquanto que em Espanha só o fizeram 12 milhões (está bem, deveríamos excluir os bébes e os cromos que não gostam de futebol, mas creio que deixei o ponto bem claro, não?).

O ódio (não, esta palavra não é demasiado forte) que o Chelsea desperta entre os adeptos ingleses deve-se a um conjunto de três factores. Primeiro, o facto de há desde um par de anos para cá, eles ganharem tudo. Em segundo, o dono do clube, o multitrilionário russo Roman Abramovich, cuja frivolidade em gastar quantias obscenas de dinheiro em contratações, ofende. Em terceiro, e acima de todos, o treinador, de seu nome José Mourinho.

Que um senhor tão antipático, tão contrário aos valores ingleses mais fundamentais, tenha sucesso e ganhe tanto dinheiro resulta dificil de engolir. Que valores são estes? Basicamente, o fair-play. Soa a frase feita. Mas muitas vezes as frases feitas dizem as verdades. Não é que um inglês seja sempre fiel aos seus princípios, mas é que este atribui uma grande importância ao conceito de ser justo e decente com o próximo.

O segundo valor mais importante em Inglaterra é a modéstia. Detestam-se os fanfarrões.

Durante os dois anos e pico que leva em Inglaterra, Mourinho tem actuado de forma flagrante e quase depreciativa em contra destes valores. A imagem pública do português é a de um homem envaidecido, apaixonado por si próprio, cujas declarações respondem unicamente aos seus próprios interesses, sem a mais mínima vontade de estender a mão aos demais.

O caso mais recente ocurreu a semana passada, após um choque entre um avançado do Reading e o guarda-redes Petr Cech, resultando num internamento por traumatismo craniano para o jogador checo. As descontroladas declarações de Mourinho depois do encontro foram interpretadas pelo público inglês como uma acusação de tentativa de assassinato por parte do avançado do Reading. O qual, tendo em conta de que foi claramente um acidente, causou uma gigantesca onda de indignação nacional.

O que mais põe a mão na ferida do povo que inventou o futebol é o facto de Mourinho ser inequivocamente um treinador brilhante, capaz de pôr jogadores que ganham milhões a lutar como o fizeram contra o Barcelona: não só como se as suas vidas dependessem da vitória, bem como as vidas de mães, mulheres e filhos.

Por tudo isto e por muito mais, cada vez que o Barça joga com o Chelsea de Mourinho recebo emails e chamadas de amigos do Arsenal, Liverpool, Manchester (até de alguns que nem ligam a futebol) expressando o seu fervente desejo de que não só o Barça ganhe ao Chelsea, mas também de que o humilhe. Assim que, para o jogo da segunda volta, a ser jogado dia 1 de Novembro no Camp Nou, Ronaldinho e companhia deviam ter em mente que representam muito mais que um clube, muito mais que Catalunha ou Espanha. Deviam não só vencer por São Jordi, mas também pelo seu homólogo São Jorge, o santo patrono de Inglaterra.

Clubes de Culto III - Torino - (Historias del Calcio - Um certo tipo de beleza) Enric González


O seu nome é Enric Gonzalez. É muito provavelmente, um dos melhores cronistas de futebol do país vizinho.

Viveu em cidades como Nova York, Paris ou Washington, mas é desde Roma, na condição de correspondente do El País, que redige as já famosas Historias del Calcio. Nessa coluna semanal disseca o futebol italiano de una maneira única e assombrosa.

Deixo-vos como exemplo uma das suas crónicas, chamada "Um certo tipo de beleza", publicada no diário El Pais 2/12/06.

Tradução a meu cargo, mas fiquem descansados porque, modéstia á parte, creio ter feito um bom trabalho para um amador. (Aproveito também para agradecer ao pessoal do blog Historias del calcio e otros mundos por publicarem no mesmo os excelentes textos de González, tal como outros de grandes nomes como John Carlin, Vicente Verdú, etc). Aqui vai.

Histórias del calcio - Um certo tipo de beleza


Não há vitória tão bela como um bom fracasso. Um axioma, uma verdade tão evidente que dispensa qualquer demonstração. Basta recordar a porta que se fecha obrigando Ethan Edwards a seguir a caminhada (The Searchers), ou Anna a passar ao lado de Holly Martins sem lhe dirigir o olhar (The third Man) ou até Richard Blane no momento em que se despede de Ilsa Lund no aeroporto (Casablanca). Ou algo bem mais terrível: a multidão de sombras caminhando sem destino no final de Espoir, o célebre filme de André Malraux sobre a Guerra Civil Espanhola. A derrota, em certas circunstâncias, converte a dignidade humana num cristal de pureza.

O Torino, como já disse outras vezes, é o vencido mais digno de todo o calcio. A própria História do clube é irrepreensível. O começo do mito foi muito provavelmente o jogo Torino-Legnano de 1921, umas meias finais numa altura em que a liga se disputava num sistema misto de eliminatórias e grupos. O Torino e o Legnano, então em igualdade pontual, jogavam para decidir um lugar na final, mas ao fim dos 90 minutos, o joga acabava empatado a 1. No prolongamento de 60 minutos, não houve golos. Então o árbitro decidiu que se jogasse mais meia hora. Passavam 8 minutos de jogo do segundo prolongamento, quando, já esgotados, jugadores das duas equipas protagonizaram um dos gestos mais bonitos da história do calcio: deixaram a bola quieta no centro do relvado, apertaram as mãos e renunciaram à competição.
Tudo o que se seguiu é do conhecimento de todos.
O Torino teve nos anos 40 uma das melhores equipas da Europa e talvez do mundo. Esa equipa, que chegou a ganhar 5 campeonatos seguidos, desapareceu fatalmente no dia 4 de Maio de 1949, num acidente aéreo.
O Torino teve nos anos 60 um dos futebolistas mais exuberantes, excêntricos e sentimentais de todos os tempos: Gigi Meroni, a borboleta grená. Meroni morreu no dia 15 de Outubro de 1967, no auge da fama, atropelado acidentalmente á saída do estádio por um jovem tiffosi que o adorava; jovem esse, Attilio Romero, que chegou a ser, anos depois, presidente do clube.
Será que passam coisas destas aos outros clubes?

Em 1992, o Toro chegou ao final da taça UEFA. No jogo de ida, Ajax e Torino empataram a uma bola. Na volta, em Turim, o Torino perdeu por 0-1, depois de mandar cinco bolas ao poste.

As primeiras cores da camisola do Torino foram o laranja e o negro, mas como o laranja utilizado se assemelhava em muito á cor amarela, formando assim a bandeira da casa de Augsburgo (preto e amarelo), tal não caiu bem á familia real de Savóia, pelo que pareceu correcto mudar a cor dos equipamentos. Em 1906, na cervejaria Voigt de Turim, um grupo de antigos "juventinos" ingresava na sociedade do Torino, descontentes com a professionalização da Juve e decidiram-se pelo grená como cor definitiva das camisolas. Era uma homenajem ao lenço cor-de-sangue que distinguia a Brigada de Savóia do exército piamontês.

Ontem, no jogo do centenário, o Toro venceu o Empoli por 1-0. Ao Empoli foi-lhe anulado um golo perfeitamente legal. Já o golo do Torino, espectacular, chegou quase no último minuto. Tratando-se do Toro, foi estranho. Como se Richard Blaine tivesse embarcado com Ilsa no avião com destino a Lisboa e mandara Casablanca dar uma volta.

Enric Gonzalez


A canção

Há, creio eu, entre os entendidos da bola, o cânone da melhor literatura sobre futebol: as crónicas do Jorge Valdano, o livro "Febre no estádio" do Nick Hornby...

O mesmo já não se aplica ao cinema, onde a sétima arte tem deixado um pouco a desejar no que ao desporto-rei diz respeito.

Mas no que toca á música, há uma canção que se destaca das demais. A orelhuda "Football is coming home" do projecto Three Lions é uma homenagem á chicha. Quero lá saber que digam que é a música que os bifes dedicaram á selecção inglesa e que só a eles diz respeito. A mim tanto me faz. Tanto podia ser dedicada ao Milan, como ao Cinfães que eu a ouvia na mesma.

O Blog

Queria falar hoje ainda daquele que é para mim o blog português sobre futebol do momento (e de sempre, já que tem uns anitos nestas andanças).

O Bola na área tem tudo. Notícias, revelações, comentários. Mas o que o destaca de outros blogs do género é a veia crítica do seu criador. São os comentários mais picantes ou os ataques mais ferozes a quem quer que seja que alimentam a devoção de todos quantos o leêm. Não há papas na língua. Diz-se o que tem de ser dito e o que não tem.

Um viva para o bola na área e para excelentes exemplos de bloguismo inconformista do qual este é ponta de lança.

Disney, Coca-Cola e Barça


Vem este post a propósito de uma imagem que me marcou ontem: o espectáculo mediático montado pelo Barcelona na apresentação de Henry.

Pareceu mesmo um baile encenado, com o jogador francês a dar toques em cima de um palanque publicitário, onde mal se podia mover. A bola da praxe, os pequenos painés publicitários pelos quais as marcas devem ter pago uma fortuna,(ainda assim talvez menos do que os adeptos culés pagaram para assistir á festa), e um enxame de fotógrafos, completavam o cenário.

Vem-me nisto á lembrança o barça de alguns anos. Tenho a clara ideia que em tempos não muito remotos havia princípios de que nenhum barcelonista abdicava. Publicidade na camisola? Jamais. Estrelas estrangeiras a preço de milhões? Talvez, mas também com o reforço do plantel por parte de jovens vindos da cantera. Viagens ao medio-oriente a gosto dos petro-dólares de um sheik? Nunca.

Mas no tempos que correm é dificil conter a mediatização e ao mesmo tempo manter os valores mais enraizados de um clube. O Real sabia-o. Sempre o soube. O Barça, no tempo em que os galácticos faziam sonhar o Bernabéu, criticou a política dos rivais e procurou manter a integridade que tanto prezava. Foi até aos limites. E chegou Laporta.

Laporta levou o clube a um outro nível. O Barcelona deixaria de ser um clube da cidade para se vir a tornar um clube do mundo. Benvindos ao maravilhoso mundo globalizado. Camisolas assinadas, ronaldinhos em miniatura, porta chaves e piaçabas de logotipo. Mas, e do verdadeiro Barça o que restou?

Restou um Ronaldinho que mal acabou a época por saturação (física ou mediática?). Um Thiago Motta que pensou em abandonar o futebol e tornar-se músico. Um Belenguer transformado em activista político na mesma proporção em que se tornava um cepo no relvado. Um Rijkaard apático e sem horizontes. Uma equipa sem eira nem beira que acabou por dar o título de mão beijada aos eternos rivais de Madrid.

Sobretudo, uma equipa sem espírito.

O Barça de hoje é um conjunto acéptico, sem identidade. Parece uma daquelas equipas do Qatar, cheia de estrelas, com os melhores treinadores, mas sem tradição ou valores para além dos salários monstruosos.

Mais do que um palmarés recheado de troféus, uma equipa existe sobretudo para ser fiel a si própria.


o amor é f####o

"Imagine a relationship that went wrong but you held on in there for years: that's what it is like supporting a football team. Your loyalty to a team can never die. Ties are stronger than they could ever be with a woman. If she goes and sleeps with your best mate, it's over. If the Rs' boss, Ian Holloway, slept with my best mate, QPR would still be my team. Even if many of the things that you loved about going to matches have gone - terraces, team shirts without sponsors and being able to smoke at grounds - you still stick with your team."

Leituras - L´ultimo baluardo de Simone Bertelegni

"Dive into the pleats of red-and-white shirts of Basque team, in order to find an Idea of football with a taste from the beginning of the twentieth century: no strangers on the field, no president-dictator, no television or business obsession, absolute loyalty to a shirt still not stained by any advertising logo."

Mesmo nos dias em que impera um modelo de futebol negócio, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não. (Era altura de tomar as palavras de Manuel Alegre, academista de origem e benfiquista convertido...). Que poético que isto soa ... mas falemos do livro mas é...

L´ultimo baluardo (o último baluarte) de Simone Bertelegni analisa ao pormenor a história e a natureza do último dos moicanos do futebol europeu: o Athletic de Bilbao. Um fenómeno cultural e futebolístico como é o Athletic representa uma ilha num oceano banhado de negócios obscuros, propaganda política e demais apitos dourados.

O italiano que escreveu este livro é jornalista freelancer e ele mesmo formou o primeiro grupo de apoiantes do clube em Itália. Para o escrever , o jovem autor conviveu durante meses com plantel e massa associativa para conhecer de perto os atifícies e a convivência que alimentam o mito deste grande clube.

Segundo consta este é um relato honesto e verdadeiro dos bastidores de San Mamés, além de ser um recorrido dos melhores e piores momentos vividos ao redor de uma história recheada de pripécias e atribulações.

(Escusado será dizer que este título suplica por uma tradução para o mercado português.)

Segundo o tablóide R...


...Afonso Alves, avançado brasileiro que marcou 34 golos na época passada ao serviço dos holandeses do Hereveen, está prestes a jogar na Luz.

E esta? Que probabilidade dão a esta hipótese? Conhecendo o jornal como conheço, penso que a possibilidade de tal acontecer se resume a uns míseros 4 /10 no termómetro de probabilidades do velha bancada.

Mas não deixem de ler o artigo... segundo a mesma fonte o jogador seria "uma prenda de Joe Berardo". Por favor,parem. Já. Quem quer que divulge estas e outras notícias não devia brincar com o bom humor de um benfiquista. Ou para alimentar a boa disposição de sportinguistas e nortenhos.

Clubes de Culto II - Athletic Club de Bilbao


Não sei se este clube se insere no grupo restricto dos clubes de culto (com pequena massa adepta, mas que pela sua paixão e devoção se destaca das demais), porque, para ser rigoroso, é necesário reconhecer que o Athletic já ganhou estatuto de grande clube, tanto em Espanha como a nível internacional.

Porém, o que diferencia este clube da maioria dos demais é um conjunto de factores únicos que o torna único na Europa do futebol.

Em 1º lugar a já famosa política desportiva que o clube sempre adoptou: recrutar apenas jogadores das suas escolas, que acabam por ser na sua grande maioría de origem ou parentesco basco. Claro que esta filosofia do clube nunca foi unânime, sendo chamada de xenófoba ou nacionalista pelos seus detractores. Neste aspecto tenho uma opinião clara: como se pode apelidar de nacionalista o facto de se cultivar a ideia de ter uma equipa constituída por gente da própria terra? Para já o nacionalismo em si é objecto da política, e, como tal, no trato desportivo a política jamais se deverá imiscuir. Para terem uma ideia, digo-vos já que gostava de ver o plantel do meu clube feito só de jogadores de origem, porque penso que eles representavam a cidade na sua essência e amavam a camisola mais que quaisquer outros. Claro que isto não implica que não goste de brasileiros, argentinos, ou demais nacionalidades, reconhecendo até que os jogadores desse países têem um talento muitas vezes inato para o futebol melhor jogado. Além disso, jogar com rapazes da terra enfraquecia até a equipa, porque a probabilidade de jogar com grandes talentos vindos de uma só povoação ou até de um só país é, por vezes, muito pequena. Mas uma filosofia de clube era instaurada e criava-se um laço com os adeptos que muito dificilmente se quebraria.
Por outro lado, não se deve acusar os bascos de xenófobos, já que eles sim foram vítimas de perseguições raciais ao longo da história, quer pelos romanos, quer pelos franceses, quer pela monarquia espanhola, quer por Franco. E ainda assim hoje persistem em manter a sua língua
e o conjunto das suas tradições. E porque não, um clube constituído só por bascos. Como a selecção de futebol que nunca tiveram.


Em 2º lugar, as origens britânicas: o clube foi fundado por mineiros ingleses, que chegavam de Southampton ou de Portsmouth de barco, e ficavam largos anos sem voltar ás ilhas. A fundação do clube, a seu cargo, introduziu na cidade o football. É além disso inegável reconhecer que o estádio San Mamés, construído á imagem do tradicional campo de futebol inglês, com as bancadas próximas do terreno de jogo e o seu aspecto rectangular, respira ainda hoje um ambiente tipicamente de futebol british, com uma assistência numerosa e civilizada, que nunca deixa de apoiar a sua equipa.

Outra característica relevante é o ideário político que houve, há e haverá por detrás de alguns elementos do clube. Escrevi nestas linhas que futebol e política não se devem imiscuir, e que quando tal acontece, deverá ser repudiado. Mas é muitas vezes difícil separar a opinião generalizada de uma associação desportiva com a opinião individual de alguns elementos que a constituem. E o athletic não é excepção, ainda para mais numa região "quente" nesse aspecto, como é o país Basco. Mas a resistência ao acosso franquista teve em muitos jogadores e dirigentes do athletic a sua máxima expressão. Como o lendário guarda-redes Iribar, mais tarde fundador do Herri-Batasuna, grupo independentista basco,ou Endika Guarrotxenea, tembém político.

Se não houvesse outra razão em si, a fabulosa cantera de formação. Do Athletic saíram nomes como Karanka, Lizarazu, Guerrero, Extebarria, Irureta, Zubizarreta, Julio Salinas, Alkorta, Pichichi, entre muitos outros nomes históricos. Ironicamente, a mais beneficiada desta situação, para além do próprio clube, foi a selecção espanhola, que ao longo dos anos se abasteceu de grandes talentos vindos de euskadi.

Por último, e sabendo que há mais 1001 razões para caracterizar o universo peculiar deste clube, há uma que não poderá ser esquecida: o velho San Mamés. Em Espanha, chamam-lhe a catedral, e o grande estádio do athletic é só por si um símbolo do clube e da região, e, fazendo juz ao nome que lhe deram as suas bancadas assemelham-se mesmo a um culto, a uma doração sem ímpar, como aquela que receberam os jogadores após a suada vitória frente ao Levante, na última jornada, salvando os fiéis espectadores de um valente susto: a caída para a segunda divisão pela primeira vez na história.


FOTOS: Madrid é uma festa

O Real Madrid ganha a liga espanhola na última jornada. Loucura em Madrid. Por ocasião desse jogo desloquei-me ao estádio com um colega do meu piso, o Adrián. Ficam aqui as fotos:
fotos de Adrián Garcia:





Roque

Correu a notícia que Roque Santa Cruz, jovem estrela do Bayern, vinha para o benfas. Deve ter sido mais uma das estratégias dos desportivos para vender jornais, como sempre. Mas pronto. Para terem uma ideia da dimensão que o Roque atingiu na Alemanha, vejam o vídeo que se segue. A banda(SportfreundeStiller) ,é possivelmente a mais popular entre os jovens alemães, e o protagonista do videoclip é nem mais nem menos do que:

Top 10 - os piores equipamentos da história do futebol

É verdade que um campo de futebol não é nenhuma passerele (ainda que muitos jogadores não se importariam com isso) mas também é verdade que muitas vezes o mau gosto prevalece na hora de vestir uma equipa. Vamos ver uma dezena de camisolas que pelo seu lado ridículo ou extravagante marcaram uma época ou um estilo na história do futebol:

10- equipamentos Joma : Sevilla, Deportivo, entre outros.

Os equipamentos da Joma são um hino ao mau gosto, quer pelos dois traços ridículos no peito, quer pelas cores utilizadas (já viram o segundo equipamento do Sevilla ??). Enfim, fiquem com as imagens e julguem vocês)

(Reparem no cor de laranja choque... não olhem é durante muito tempo que fere a vista.)


























9-
Atletico de Madrid, há uns anos atrás.
O mau nesta camisola nem se relaciona com a marca desportiva, mas antes com o patrocínio. Acontece que os dirigentes do Atleti venderam os direitos de sponsor a uma produtora de cinema e o que se passou foi o seguinte:







Isso mesmo, obras fílmicas de qualidade duvidosa como Hitch, Spiderman 2, Hellboy, Closer... os últimos anos do Atlético na liga é que davam um filme... e ainda estou para saber como é que o Arizmendi consegue pôr aquela cara de sério com a teia absurda do homem aranha ao peito. Mas calma, nada se compara com o que se segue...


8- Colorado Caribou da liga americana. Creio que nem merece classificativa, é ridicula, "kitsch", terrível... que nem há palavras... só podia vir de um país onde o pessoal não percebe nada de bola... o estilozinho á cowboy é de uma chunguice indescritível.



7- Atlethic de Bilbao. É com alguma mágoa que ponho nesta lista um clube que muito gosto, mas assim aprendi que a má imagem pode tocar a todos... mesmo a um clube respeitável como o velho bilbaíno...


6- Deixo aqui um apanhado dos míticos e algo abichanados anos 80. Se um jogador hoje em dia fosse obrigado a usar isto, nem sei os nomes que chamava ao roupeiro. Já agora se me dissessem que a Vileda chegou a patrocinar uma equipa de futebol eu não acreditava.

.

e mais duas só para vos moer a cabeça...




5. A seguinte não sei de que nacionalidade será. Mas o certo é que as cinco letrinhas do patrocínio, WANKA, traduzem-se ao inglês como punheta ou punheteiro penso eu. Bom, inglesa não será então. Digo eu.





















4- É verdade, estamos quase a chegar ao pódio. Mas tenham calma que ainda temos muito "estilo" para mostrar. Verdadeiras obras de arte. A seguintes são umas camisolas fora do seu tempo. Digo isto, porque na altura em que foram usadas, nos 80, tinham um certo travo aos psicadélicos 70 e ao movimento hippy dos nossos papás. Vejam estas misérias, ou então fumem umas e logo falamos.

















































3-
Chegados á terceira posição julgam que já viram tudo... isso pensam vocês. Ao olharem para esta podem pensar que não tem nada de especial, mas se imaginarem melhor o mítico Ajax de há uns anitos, no seu auge, a jogar com esta camisola, acham que intimidava alguém por muito bem que jogasse ???


3- E a medalha de prata vai para o glorioso. Lembro-me que na altura em que saiu este equipamento a moda estalou de imediato: andavam os putos todos com o irritante alternativo de prateado que o Benfas então estreava. Mal sabiam os benfiquistas que o pior nessa época estava para vir... (Vigo). Pior ainda que isso é o imaginário de jogadores que tenho ligado a esta adidas de gosto duvidoso: Calado aquando do escandalo Melão e Paulo Madeira a enterrar forte e feio a cada jogo no Estádio da Luz. Pobre benfica desse tempo.


1. E o grande vencedor é o Hull City de Inglaterra. A famosa camisola tigresa tornou-se um ícone. Já do Hull city nada se sabe, deve andar irremediavelmente afundado nos confins dos escalões secundários de Inglaterra. Disfrutem...














Clubes de Culto I - FC St. Pauli

A história deste pequeno grande clube da cidade alemã de Hamburgo está intimamente ligado á própria história do mal afamado bairro de St. Pauli, situado nas velhas docas do rio Elba. Na sombra do gigante Hamburguer SV, o grande emblema da cidade, o clube da reeperbahn formou-se após a união de três outros clubes que existiam então: o MTV Hamburgo e o TV St. Pauli. Corria o ano de 1910.

Conta a lenda que o idealizaram un grupo de amigos boémios, clientes habituais dos bordéis do bairro e visitantes das tabernas frecuentadas por prostitutas e marinheiros, que pelas concorridas docas procuravam passar o tempo que lhes sobrava entre uma viagem e outra. Juntos partilhavam também o seu entusiasmo pelo jogo da bola.

Porém, tal entusiasmo de nada serviu ao longo dos anos para o clube vir a ter algum sucesso: nada ganhou. Anos mais tarde, já na época de 98/99 o clube esteve mesmo ás portas da falência e o futuro parecia negro. Porém a caridade dos simpatizantes e o verdadeiro culto que adeptos lhe mereciam, salvou o clube de apuros maiores.

Mas, para entendermos a "grandeza" do St. Pauli, que hoje em dia se estende por toda a Alemanha, há que remontar aos anos 80. Nessa época, o clube foi influenciado pelas ideias políticas de esquerda liberal dos seus adeptos, que transferiam as suas convicções para o estádio e contagiavam as bancadas do Millerntor com um ambiente de festa e comunhão, regado a muita cerveja e schnaps (aguardente alemã). Criou-se então uma verdadeira "cena" e o modesto estádio tornou-se um lugar de moda, onde se celebravam as maiores festas e os mais concorridos concertos. Reunia-se uma verdadeira fauna urbana: punks, anarcas, comunistas, entre outros, partilhavam a sua adoração pelo pequeno St. Pauli.

O clube foi crescendo, e na época de 88/89 atingiu o escalão maior do futebol germânico, feito que apenas havia conseguido dez anos antes, numa curta presença saldada num penoso penúltimo lugar. Os anos seguintes foram um vaivém entre a Bundesliga e a segunda divisão. Em 98/99 chegou, como foi referido, o pior momento da sua história, em que uma crise financeira quase levou ao fim do clube. Não fosse a dedicação dos adeptos, que se uniram numa gigantesca campanha de apoio, largamente apoiada pelos bares da zona, (que passaram a doar ao clube 50 centimos por cada cerveja vendida - a famosa campanha Saufen fur St. Pauli - beber para o St. Pauli) e talvez o modesto mas amado St Pauli nunca tivesse sobrevivido.

Mais recentemente, o clube alcançou o feito inédito de alcançar as meias finais da taça da Alemanha, onde foi derrotado pelo todopoderoso Bayern de Munique. Conhecido é também o apoio dedicado pela banda de música metal Turbonegro, chegando mesmo a patrocinar uma das camisolas (!), ou a figura do presidente Corny Littman, um conhecido encenador teatral, dirigente do Schmidt Teather e famoso defensor dos direitos dos homosexuais da cidade. Como curiosidade fica o facto de a camisola "Jack Daniels", equipamento que levou o patrocíno da famosa marca de Whisky durante uma temporada, ter-se tornado um objecto de colecção para a maior parte dos adeptos e como tal ser hoje em dia uma raridade já dificil de encontrar e leiloada pelos preços mais disparatados.

Ficha

Nome: FC Sankt Pauli.
Estádio: Millerntor Stadion, em Hamburgo. Conhecido pelos adeptos como Freundenhaus der Liga (bordel da liga.) Anteriormente conhecido como Willhelm-Koch-Stadion, perdeu essa designação quando veio a público o passado ligado ao partido nazi que o antigo presidente supostamente teve.
Adeptos:
Muitos. Enche regularmente o estádio e constitui uma massa de apoiantes entusiástica.
Bilhetes: Devido á fraca lotação do estádio (20.000), esgotam rapidamente e são muito caros. Mas se quiser tentar...
Amigos: têem uma boa relação com o Mainz, o Duisburgo e o Colónia. Fora da Alemanha, com o Celtic de Glasgow e com o Boavista.
Inimigos:
o Hamburgo naturalmente e o Hansa Rostock.
Figuras: Karl Miller, internacional alemão e Volker Ippig, guarda-redes mais famoso pelas suas actividades políticas.

 

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